Esquecemos de existir como seres humanos para continuar como cidadãos.
Os sentimentos são submersos no mais fundo do nosso ser para que nos tornemos criaturas mais fortes, capazes de enfrentar todas as mazelas em que a vida nos envolve, e com isso nos vemos a cada dia mais frios, insensíveis, precisamos ser duros para sobreviver, mas será que tudo isso vale a pena?
Esse enterro infinito dos nossos sentimentos, da nossa sensibilidade em prol de uma maior convivência num mundo tão duro, tão cruel, é capaz de nós fazer plenos, satisfeitos, felizes?
Acho que não, a alma entorpecida, não enxerga mais os bons sentimentos, não consegue sentir o perfume das flores, não acompanha mais o suave balançar das folhas felizes com o vento que assola as árvores. O doce sorriso das crianças não mais nos acaricia a alma e não mais conseguimos ver traduzido em seus passinhos trôpegos algo distante e agradável que foram esses mesmos passinhos que demos em nossa infância.
Quero conservar minha alma pura, conseguir ver apesar de tudo isso, a grandiosidade do amor de Deus por suas criaturas, a delicadeza da amizade, do cuidado, do carinho de um amigo, ter por quem lutar, para onde voltar, o que desejar, enfim deixar que meu coração se alegre ao acompanhar o sorriso inocente e suave de uma criança, que começa seu caminho pela vida com olhos esperançosos, com perninhas vacilantes, mas com o olhar firme e confiante de que tudo valerá ser vivido.
Quero poder reviver e viver a cada dia tudo isso e muito mais em uma vida maravilhosa que Deus nos presenteia a cada dia, encantando o mundo, minha alma e a todos a cada respirar, a cada olhar e a cada sorriso que nasce do nosso coração e alcança também a nossa alma.
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